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Archive for janeiro \29\UTC 2011

Biblioteca Mário de Andrade

Essa semana tava querendo ler um livro do Bukowski mas a biblioteca do Mackenzie onde eu costumo pegar livros não tinha nem sequer um título do velho safado. Eu não esperava por essa, costumo sempre encontrar o que procuro por lá, mas por ser uma universidade presbiteriana, talvez acreditem ser uma obra um pouco obscena. Ai lembrei que perto do apê que fico, no Centro, estavam reformando a biblioteca Mário de Andrade, que não por acaso ficou pronta essa semana, no aniversário de São Paulo.

Hoje de manhã dei um pulo lá pra me cadastrar e fiquei surpreso, o lugar é todo novo, bem arejado e iluminado. Por ser uma biblioteca pública e não um hospital público, o movimento de pessoas não é muito grande, o que torna o atendimento rápido e eficaz.

– Talvez se as bibliotecas fossem cheias, os hospitais seriam mais vazios…

Existem várias seções de pesquisa por lá, jornais e periódicos, livros raros e a seção Circulante que é o acervo onde se pode pegar livros emprestados. Pra isso é preciso estar cadastrado na biblioteca.

Pra quem se interessar, tudo que você precisa pra se cadastrar é levar RG e comprovante de residência, é tudo de grátis. Tem uma velinha bem legal lá que vai atender você.

O legal é que esse registro possibilita que você pegue livros em qualquer outra biblioteca municipal que seja mais perto da sua casa.

Aqui tem uma lista das bibliotecas municipais por região.

Pra quem acha que biblioteca é lugar de enciclopédias e livros empoeirados, lá você encontra até a coleção completa de Harry Potter e Dan Brown, além de poder tomar um cafezinho enquanto lê o jornal do dia ou a revista da semana.

Dá pra você consultar o acervo local ou o acervo completo da cidade neste link. Veja se encontra alguma coisa ai que você gostaria de ler. Ou se quiser ir e escolher lá, existem terminais de consulta espalhados pela biblioteca. De certa forma foi o que aconteceu comigo pois fui sem consultar e no fim das contas o livro que eu queria estava emprestado, mas achei outro que queria ler faz tempo.

Para aqueles que gostam de falar mal do serviço público – assim como eu – essa é uma oportunidade de conhecer um que funcione e ainda ofereça um bem precioso para as pessoas: o conhecimento. Não esqueça, você paga pra essa biblioteca existir.

Quem se interessar o site da biblioteca é ::: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bma/

Se alguém passar por lá me mande uma mensagem dizendo o que achou.

Bom passeio e boa leitura!

[original da imagem]

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Ben e a virtude

A autobiografia de Benjamin Franklin é um marco nos textos democráticos da História.

Não vou fazer uma resenha do livro ainda, afinal ainda não terminei de ler tudo, mas uma coisa que vem me chamando a atenção é o apego quase obsessivo que Ben Franklin tem pela virtude.

Sua inclinação em cultivar princípios fortes como Temperança, Sinceridade e outras (13 ao total) chega ao extremo de manter um diário onde ele registra suas faltas cometidas durante o dia em cada uma das virtudes.

É óbvio que eu entendo o poder e a recompensa de se cultivar virtudes para alcançar uma vida plena e feliz. Sei também da importância vital da auto-disciplina para alcançar qualquer coisa que vale a pena.

No entanto, ao ler as linhas do Sr. Franklin me vem um sentimento de desapontamento, quase decepção. Perceber que alguém de tamanha importância para a história da humanidade parece tão cafona e sem graça, suas aventuras não tem grandes emoções, suas empreitadas não tem nada de radical. Enfim, Benjamin Franklin surge pra mim como um tiozinho que apesar de suas infinitas realizações, é muito do sem graça.

Pensei nisso durante alguns dias e a pouco uma ideia veio iluminar minha cachola.

Percebi que esse sentimento de desapontamento não é por ser ele, Benjamin Franklin, um chato. Essa sensação vem de um condicionamento que faz com que eu ache enfadonho e sem graça tudo e todos que não vivem de forma extrema e até irresponsável.

Não é de se espantar. Em nossos dias existe um apelo por toda parte que parece tentar dissipar de uma vez por todas o alcance e o prazer de uma vida de virtudes.

Os valores de outrora, responsáveis por grandes realizações, estão agora totalmente ofuscados pela banalização de tudo. A música, a cultura, a televisão, tudo parece estar em uma curva descendente rumo ao supérfluo máximo. Não existe mais espaço pra heróis.

Nos tornamos por vezes tão mesquinhos e arrogantes que chegamos a ridicularizar indivíduos mais virtuosos e iluminados que nós. – Desculpe Ben.

Deixamos de perceber o valor do cara que todos os dias consegue vencer a si mesmo, domar seus impulsos e adiar seu divertimento. Trabalhando com afinco e diligencia para colher frutos futuros.  — Essa é uma questão que devo voltar em outro post.

Mas não quero ser um desses velhotes que reclamam do momento atual, dizendo que as coisas do passado eram melhores. Não eram. Sempre houve essa escravidão mental que impede os homens e mulheres de se tornarem conscientes de seus próprios condicionamentos e trabalharem em si mesmos para serem melhores.

E talvez,  essa seja a característica mais nobre e louvável do Sr. Franklin, que faz dele, no fim das contas, um cara durão e aventureiro, buscar uma melhoria de si mesmo todos os dias, lutando contra seus vícios e imperfeições, pois afinal só descobrimos quão ruim somos quando tentamos ser melhores.

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Hoje minha cidade natal  completa anos. Apesar de ao longo dos anos ter descoberto o quão opressiva e perversa São Paulo pode  ser quando comparada a outras cidades, fico feliz por ter nascido e vivido aqui.

Mas como é feio ficar apontando defeitos no dia do aniversário de alguém (e até em dias normais), fica aqui minha manifestação de carinho por essa maloca amada.

Feliz aniversário Sampa!

 

[original da imagem]

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